30 January 2016

O mês em livros // Janeiro

Este mês foi bastante produtivo em leituras, portanto, para dar as boas vindas oficias a 2016 no blog (it's never too late!), dou início a uma rubrica onde partilho os livros que li durante o mês, acompanhados com uma pequena review. Curiosamente, os livros que li têm todos um fio de ligação entre eles: todos eles se debruçam sobre o tema da existência.



                       
O primeiro livro do ano foi... A Insustentável Leveza do Ser do senhor Milan Kundera, que além de escritor é pianista e musicólogo (muitos pontos a seu favor!). Não sei como hei de expressar o quanto eu gostei deste livro. O estilo de escrita é fantástico, há imensas referências não só à música checa (Dvorak e Janecek) como também a Beethoven e ao seu famoso Quarteto de Cordas nº 16, o que torna o meu apreço por este livro muito óbvio. É um livro que fala de política, da fragilidade da vida, do destino e de coincidências, do amor e do sexo. É aquilo tipo de livro capaz de mudar a forma como percepcionamos algumas coisas e nos fica em mente durante muito tempo. Como não podia deixar de ser, a minha classificação no Goodreads foi 5/5.




Estreei-me no Mia Couto com A Varanda do Frangipani, um pequeno romance relatado por um morto. Mórbido? Nada! O morto é um xipoco (ou seja, um fantasma) que começa a habitar no corpo de um polícia moçambicano que está a trabalhar na investigação da morte do diretor de um asilo de idosos. Os idosos deste asilo estão profundamente ligados às tradições e mitos ancestrais do seu país e confrontam o polícia com as suas raízes, com a importância do conservar da tradição e criticam o moderno, o materialismo. Sim, é um bom livro. Sim, o estilo de escrita é diferente. Sim, espero deparar-me com algo melhor deste escritor tão aclamado. 3/5.



Senhor Deus, Esta É Ana de Fynn foi um livro que me recomendaram e ainda bem, pois era o livro que eu precisava na minha vida. É um livro espiritual e de filosofia, não um livro religioso como pode parecer à primeira impressão. Este livro conta a história de uma menina de cinco anos muito curiosa e com uma grande vontade de viver, de descobrir mais, de aprender. A sua relação com Deus é genuína, honesta, bonita. Este livro foi feito para católicos, protestantes, ateus, budistas, a lista continua... É para todos que queiram aprender a ser curiosos, a descobrir outras formas de ver a vida e as pequenas maravilhas do dia-a-dia que nos rodeiam mas muitas vezes passam despercebidas. A minha classificação é de 4.5/5.




A Saga de um Pensador do brasileiro Augusto Cury, foi outra recomendação que me fizeram e... Este livro é TÃO bom!! Tenho de me sentar e respirar fundo para falar sobre este livro.
O narrador é Marco Pollo, um jovem curioso e intrépido. Começou a estudar Medicina, e, na sua primeira aula de Anatomia, questiona o seu professor acerca dos corpos dos mortos estendidos em mesas, corpos estes que iriam estudar na sua disciplina. Pergunta donde vieram aqueles corpos, quais os seus nomes, quais as suas histórias e o professor manda-o ir dar uma volta. Então, Marco Pollo vai. Incomodado com a frieza e insensibilidade do professor, começa a sua jornada na busca de respostas. Desde a primeira à última página, a mensagem é uma corrente positiva, que nos faz reflectir sobre nós, a sociedade, a vida, as relações humanas, a riqueza (interior vs material), a sabedoria, a hipocrisia, a felicidade...  e mais não digo. 5/5.




E para terminar, Siddhartha do famoso Hermann Hesse. Este romance, inspirado nas tradições indianas, fala-nos da metamorfose do jovem Siddhartha que parte numa peregrinação espiritual acompanhado pelo seu amigo Govinda. Começam por ir ao encontro de samanas, onde aprendem a jejuar, meditar, libertar-se de desejos e abandonar o Eu. Não era bem aquilo que procuravam e então vão à procura do Buda e de ouvir a sua doutrina. Ao encontrarem-se com Buda, Govinda decide segui-lo e Siddartha continua o seu caminho. O resto fica para vocês descobrirem. A única coisa a que aponto o dedo a este livro é o estilo de escrita. Pode dever-se à tradução que tive nas mãos ou à especificidade do alemão, mas enfim, algumas frases eram confusas, sem  coesão. Tirando isso, é um livro fantástico, uma história belíssima à qual humildemente classifico com 4/5.

5 comments:

Sara Ferreira said...

Tenho cá em casa o livro do Augusto Cury e a minha mãe já mo recomendou imensas vezes! Acho que é desta que pego nele :)

Joana said...

Sara, vale muito a pena! :)

Nês said...

O teu blog é fantástico!
Beijinhos!!

http://incontro-verso.blogspot.pt

Joana said...

Muito muito obrigada Nês!!

Nádia said...

Tenho o Siddhartha a postos para ler :)